<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851</id><updated>2011-09-01T23:09:39.066+01:00</updated><title type='text'>20poemasdeamor</title><subtitle type='html'>20 poemas de amor para toda a vida. Selecção dos 20 melhores poemas de amor escritos em português, segundo um critério de gosto pessoal e subjectivo. Do amor sensual, ao amor maternal, paternal, filial, à amizade. ao amor... amor... amor... José Miguel Oliveira</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-114675445765089776</id><published>2006-05-04T15:49:00.001+01:00</published><updated>2008-10-25T02:50:00.257+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;As mãos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as tuas mãos são as mãos mais perfeitas meu amor&lt;br /&gt;e tu bem sabes porquê.&lt;br /&gt;as tuas mãos não são mãos,&lt;br /&gt;mas um círculo perfeito em redor de mim&lt;br /&gt;como os anéis em redor de Saturno.&lt;br /&gt;as tuas mãos são como o tronco de heras&lt;br /&gt;que cresce em volta do pinheiro manso no nosso jardim.&lt;br /&gt;tu sabes que o pinheiro não se importa da companhia heras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as tuas mãos nunca enxugaram as lágrimas.&lt;br /&gt;mesmo quando parti e as tuas lágrimas correram&lt;br /&gt;correram com a mesma certeza que o rio corre para o mar&lt;br /&gt;na exacta direcção das curvas do teu rosto&lt;br /&gt;umas em direcção à boca&lt;br /&gt;outras precipitando-se do teu queixo&lt;br /&gt;como pingos de chuva, em direcção ao abismo da terra.&lt;br /&gt;as tuas mãos nunca enxugaram lágrimas&lt;br /&gt;porque a terra te pede humidade para crescer&lt;br /&gt;e a tua boca água para matar a sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as tuas mãos são flores de veludo.&lt;br /&gt;suaves lilases,&lt;br /&gt;rosas,&lt;br /&gt;orquídeas,&lt;br /&gt;papoilas, margaridas…&lt;br /&gt;as tuas mãos são beijos,&lt;br /&gt;as tuas mãos são bússolas,&lt;br /&gt;manhãs de céu primaveril&lt;br /&gt;que me abrem a porta para comprovar o sol.&lt;br /&gt;as tuas mãos são os teus dedos&lt;br /&gt;e os anéis de noivado e da aliança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes as tuas mãos são o sal que tempera a comida&lt;br /&gt;o açúcar exacto no café&lt;br /&gt;as mãos de ferro que me brune as camisas&lt;br /&gt;as mãos de aço que me levantam como gruas nos momentos difíceis.&lt;br /&gt;outras vezes&lt;br /&gt;as tuas mãos são pirómanas&lt;br /&gt;porque incendeiam cada poro da minha pele&lt;br /&gt;as tuas mãos também são rebeldes&lt;br /&gt;mãos de carne,&lt;br /&gt;de músculo e de osso,&lt;br /&gt;mãos de coração arritmado&lt;br /&gt;por força do compasso mútuo das nossas ancas,&lt;br /&gt;mãos firmes que me fazem arder até mais não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as tuas mãos desenham as mesmas palavras que tua boca.&lt;br /&gt;as tuas mãos escrevem cartas de amor&lt;br /&gt;e nelas às vezes eu leio saudade&lt;br /&gt;que é uma palavra complicada de traduzir noutras línguas&lt;br /&gt;e outras mais naturais&lt;br /&gt;como paz,&lt;br /&gt;amor,&lt;br /&gt;mãe,&lt;br /&gt;irmão,&lt;br /&gt;que são palavras simples sem prefixos nem sufixos,&lt;br /&gt;nem aglutinações ou composições,&lt;br /&gt;ou coisas demais complexas que as mãos não entendem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as tuas mãos e as minhas nunca dirão adeus.&lt;br /&gt;de mãos dadas&lt;br /&gt;dizer adeus é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Miguel De Oliveira &lt;em&gt;(poesia não editada)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-114675445765089776?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/114675445765089776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/114675445765089776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/05/as-mos-as-tuas-mos-so-as-mos-mais.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113932593710138653</id><published>2006-02-07T15:24:00.000Z</published><updated>2006-02-07T15:25:37.103Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Lugar, III&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres têm uma assombrada roseira&lt;br /&gt;fria espalhada no ventre.&lt;br /&gt;Uma quente roseira às vezes, uma planta&lt;br /&gt;de treva.&lt;br /&gt;Ela sobe dos pés e atravessa&lt;br /&gt;a carne quebrada.&lt;br /&gt;Nasce dos pés, ou da vulva, ou do ânus-&lt;br /&gt;e mistura-se nas águas,&lt;br /&gt;no sonho da cabeça.&lt;br /&gt;As mulheres pensam como uma impensada roseira&lt;br /&gt;que pensa rosas.&lt;br /&gt;Pensam de espinho para espinho,&lt;br /&gt;param de nó em nó.&lt;br /&gt;As mulheres dão folhas, recebem&lt;br /&gt;um orvalho inocente.&lt;br /&gt;Depois a sua boca abre-se.&lt;br /&gt;Verão, outono, a onda dolorosa e ardente&lt;br /&gt;das semanas,&lt;br /&gt;passam por cima. As mulheres cantam&lt;br /&gt;na sua alegria terrena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que coisa verdadeira cantam?&lt;br /&gt;Elas cantam.&lt;br /&gt;São fechadas e doces, mudam&lt;br /&gt;de cor, anunciam a felicidade no meio da noite,&lt;br /&gt;os dias rutilantes, a graça.&lt;br /&gt;Com lágrimas, sangue, antigas subtilezas&lt;br /&gt;e uma suavidade amarga-&lt;br /&gt;as mulheres tornam impura e magnífica&lt;br /&gt;nossa límpida, estéril&lt;br /&gt;vida masculina.&lt;br /&gt;Porque as mulheres não pensam: abrem&lt;br /&gt;rosas tenebrosas,&lt;br /&gt;alagam a inteligência do poema com o sangue menstrual.&lt;br /&gt;São altas essas roseiras de mulheres,&lt;br /&gt;inclinadas como sinos, como violinos, dentro&lt;br /&gt;do som.&lt;br /&gt;Dentro da seiva de cinza brilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pão de aveia, as maçãs no cesto,&lt;br /&gt;o vinho frio,&lt;br /&gt;ou a candeia sobre a silêncio.&lt;br /&gt;Ou a minha tarefa sobre o tempo.&lt;br /&gt;Ou o meu espírito sobre Deus.&lt;br /&gt;Digo: minha vida é para mulheres vazias,&lt;br /&gt;as mulheres dos campos, os seres&lt;br /&gt;fundamentais&lt;br /&gt;que cantam de encontro aos sinistros&lt;br /&gt;muros de Deus.&lt;br /&gt;As mulheres de ofício cantante que a Deus mostram&lt;br /&gt;a boca e o ânus&lt;br /&gt;e a mão vermelha lavrada sobre o sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que o amor enleve a minha melancolia&lt;br /&gt;E flores sazonadas estalem e apodreçam&lt;br /&gt;docemente no ar.&lt;br /&gt;E a suavidade e a loucura parem em mim,&lt;br /&gt;e depois o mundo tenha cidades antigas&lt;br /&gt;que ardam na treva sua inocência lenta&lt;br /&gt;e sangrenta.&lt;br /&gt;Espero tirar de mim o mais veloz&lt;br /&gt;apaixonamento e a inteligência mais pura.&lt;br /&gt;- Porque as mulheres pensarão folhas e folhas&lt;br /&gt;no campo.&lt;br /&gt;Pensarão na noite molhada,&lt;br /&gt;no dia luzente cheio de raios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo que a morte se inspira na carne&lt;br /&gt;que a luz martela de leve.&lt;br /&gt;Nessas mulheres debruçadas sobre a frescura&lt;br /&gt;veemente da ilusão,&lt;br /&gt;nelas – envoltas pela sua roseira em brasa -&lt;br /&gt;vejo os meses que respiram.&lt;br /&gt;Os meses fortes e pacientes.&lt;br /&gt;Vejo os meses absorvidos pelos meses mais jovens.&lt;br /&gt;Vejo meu pensamento morrendo na escarpada&lt;br /&gt;treva das mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E digo: elas cantam a minha vida.&lt;br /&gt;Essas mulheres estranguladas por uma beleza&lt;br /&gt;Incomparável.&lt;br /&gt;Cantam a alegria de tudo, minha&lt;br /&gt;alegria&lt;br /&gt;por dentro da grande dor masculina.&lt;br /&gt;Essas mulheres tornam feliz e extensa&lt;br /&gt;a morte da terra.&lt;br /&gt;Elas cantam a eternidade.&lt;br /&gt;Cantam o sangue de uma terra exaltada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Herberto Helder&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113932593710138653?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113932593710138653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113932593710138653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/02/lugar-iii-as-mulheres-tm-uma.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113932585848457515</id><published>2006-02-07T15:23:00.000Z</published><updated>2006-02-07T15:24:18.486Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Vamos dormir aqui&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vamos dormir aqui um bocadinho&lt;br /&gt;vamos ter um manto de azeitonas&lt;br /&gt;iluminar os dedos de verdades&lt;br /&gt;trocar bafo com bafo enquanto é noite&lt;br /&gt;vamos ouvir corações lilazes&lt;br /&gt;e reverter as sombras&lt;br /&gt;                                   copular&lt;br /&gt;na uva do silêncio o nosso olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pedro Tamen&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113932585848457515?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113932585848457515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113932585848457515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/02/vamos-dormir-aqui-vamos-dormir-aqui-um.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113931588542967203</id><published>2006-02-07T12:35:00.000Z</published><updated>2006-02-07T12:38:05.430Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ninguém meu amor&lt;br /&gt;ninguém como nós conhece o sol&lt;br /&gt;podem utilizá-lo nos espelhos&lt;br /&gt;apagar com ele&lt;br /&gt;os barcos de papel dos nossos lagos&lt;br /&gt;podem obrigá-lo a parar&lt;br /&gt;à entrada das casas mais baixas&lt;br /&gt;podem ainda fazer&lt;br /&gt;com que a noite gravite&lt;br /&gt;hoje do mesmo lado&lt;br /&gt;Mas ninguém meu amor&lt;br /&gt;ninguém como nós conhece o sol&lt;br /&gt;Até que o céu degole&lt;br /&gt;o horizonte em que um a um&lt;br /&gt;nos deitam&lt;br /&gt;vendando-nos os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sebastião Alba&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Uma Pedra ao Lado da Evidência&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113931588542967203?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113931588542967203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113931588542967203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/02/ningum-meu-amor-ningum-como-ns-conhece.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113931566093918610</id><published>2006-02-07T12:33:00.000Z</published><updated>2006-02-07T12:34:20.940Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;syrinx, ficção pastoral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XX&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse tudo, mas não o lugar certo.&lt;br /&gt;Em cera e em metal, por mãos de gente&lt;br /&gt;e estojos de veludo me deitei&lt;br /&gt;e quantos me tiveram sabem quanto&lt;br /&gt;amei e amo a foice do teu rosto,&lt;br /&gt;os cinco ou mais sentidos que me dás.&lt;br /&gt;Um sopro humano, a boca, um coração,&lt;br /&gt;me tocam e alimentam, como antes&lt;br /&gt;águas de chuva no lazer do pântano&lt;br /&gt;quando o vento passava nos pinhais;&lt;br /&gt;sou teu igual, não mais, e no meu corpo&lt;br /&gt;inteiramente novo é que perdura&lt;br /&gt;a liberdade, a glória do teu canto.&lt;br /&gt;Desejo meu, em tua sede habito;&lt;br /&gt;meu mestre, escravo, amante, pois servimos&lt;br /&gt;no mesmo chão o mesmo antigo lume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;António Franco Alexandre&lt;br /&gt;Quatro caprichos – Abril 1999&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113931566093918610?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113931566093918610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113931566093918610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/02/syrinx-fico-pastoral-xx-eu-disse-tudo.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113931541896802803</id><published>2006-02-07T12:20:00.000Z</published><updated>2006-02-07T15:22:56.130Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Agora, meu amor, saboreio&lt;br /&gt;cada parte do teu corpo numa&lt;br /&gt;quietude sufocante como um percurso&lt;br /&gt;uma brisa tocada pelo cisne&lt;br /&gt;em fuga para o infinito.&lt;br /&gt;Deixo-me perder sobre ti, como um rio&lt;br /&gt;sem foz, uma alma sem destino&lt;br /&gt;uma fragrância lançada nas brumas&lt;br /&gt;das musas pressentidas na brisa dos amantes.&lt;br /&gt;Ah, musa da minha imortalidade&lt;br /&gt;nascente e pôr do sol, caindo lentamente&lt;br /&gt;a vida toda, meu amor, melancólica e profana&lt;br /&gt;breve loucura quando, recôndita, abres&lt;br /&gt;a pérola para me seduzir com o seu néctar!&lt;br /&gt;Bebo a geada dos teus poros luminosos&lt;br /&gt;que transcorrem misteriosamente pela tua&lt;br /&gt;e minha imaginação doida, ó exagero&lt;br /&gt;infindável, flutuante pulsação embriagada&lt;br /&gt;mordendo os lençóis envolta por um&lt;br /&gt;corpo serpenteante e sublime na procura&lt;br /&gt;de uma sombra erigida às vidraças solares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Américo Teixeira Moreira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Corpo Restituído - &lt;/em&gt;Dezembro 2005&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113931541896802803?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113931541896802803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113931541896802803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/02/agora-meu-amor-saboreio-cada-parte-do.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113872010498567943</id><published>2006-01-31T15:04:00.000Z</published><updated>2006-01-31T15:16:17.883Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Adeus&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,&lt;br /&gt;e o que nos ficou não chega&lt;br /&gt;para afastar o frio de quatro paredes.&lt;br /&gt;Gastámos tudo menos o silêncio.&lt;br /&gt;Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,&lt;br /&gt;gastámos as mão à força de as apertarmos,&lt;br /&gt;gastámos o relógio e as pedras das esquinas&lt;br /&gt;em esperas inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meto as mãos nas algibeiras&lt;br /&gt;e não encontro nada.&lt;br /&gt;Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!&lt;br /&gt;Era como se todas as coisas fossem minhas:&lt;br /&gt;quanto mais te dava mais tinha para te dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes tu dizias:&lt;br /&gt;os teus olhos são peixes verdes!&lt;br /&gt;e eu acreditava.&lt;br /&gt;Acreditava,&lt;br /&gt;porque ao teu lado&lt;br /&gt;todas as coisas eram possíveis.&lt;br /&gt;Mas isso era no tempo dos segredos,&lt;br /&gt;no tempo em que o teu corpo era um aquário,&lt;br /&gt;no tempo em que os meus olhos&lt;br /&gt;eram peixes verdes.&lt;br /&gt;Hoje são apenas os meus olhos.&lt;br /&gt;É pouco, mas é verdade,&lt;br /&gt;uns olhos como todos os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já gastámos as palavras.&lt;br /&gt;Quando agora digo: meu amor...,&lt;br /&gt;já se não passa absolutamente nada.&lt;br /&gt;E no entanto, antes das palavras gastas,&lt;br /&gt;tenho a certeza&lt;br /&gt;de que todas as coisas estremeciam&lt;br /&gt;só de murmurar o teu nome&lt;br /&gt;no silêncio do meu coração.&lt;br /&gt;Não temos já nada para dar.&lt;br /&gt;Dentro de ti&lt;br /&gt;não há nada que me peça água.&lt;br /&gt;O passado é inútil como um trapo.&lt;br /&gt;E já te disse: as palavras estão gastas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eugénio de Andrade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Poemas&lt;/em&gt; 1945-1965 &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113872010498567943?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113872010498567943/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113872010498567943&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113872010498567943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113872010498567943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/adeus-j-gastmos-as-palavras-pela-rua.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113871936629176584</id><published>2006-01-31T14:54:00.000Z</published><updated>2006-01-31T14:56:06.296Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;PARA QUÊ&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tudo é vaidade neste mundo vão...&lt;br /&gt;Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!&lt;br /&gt;E mal desponta em nós a madrugada,&lt;br /&gt;Vem logo a noite encher o coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o amor nos mente, essa canção&lt;br /&gt;Que o nosso peito ri à gargalhada,&lt;br /&gt;Flor que é nascida e logo desfolhada,&lt;br /&gt;Pétalas que se pisam pelo chão!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos de amor! Pra quê?! ... Tristes vaidades!&lt;br /&gt;Sonhos que logo são realidades,&lt;br /&gt;Que nos deixam a alma como morta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só neles acredita quem é louca!&lt;br /&gt;Beijos de amor que vão de boca em boca,&lt;br /&gt;Como pobres que vão de porta em porta!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Florbela Espanca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vila Viçosa 1894-1930&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113871936629176584?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113871936629176584/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113871936629176584&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871936629176584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871936629176584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/para-qu-tudo-vaidade-neste-mundo-vo.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113871318355050497</id><published>2006-01-31T13:04:00.000Z</published><updated>2006-01-31T13:13:03.553Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Na hora de pôr a mesa, éramos cinco&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;na hora de pôr a mesa, éramos cinco.&lt;br /&gt;o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs&lt;br /&gt;e eu. depois, a minha irmã mais velha&lt;br /&gt;casou-se. depois, a minha irmã mais nova&lt;br /&gt;casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,&lt;br /&gt;na hora de pôr a mesa, somos cinco,&lt;br /&gt;menos a minha irmã mais velha que está&lt;br /&gt;na casa dela, menos a minha irmã mais&lt;br /&gt;nova que está na casa dela, menos o meu&lt;br /&gt;pai, menos a minha mãe viúva. cada um&lt;br /&gt;deles é um lugar vazio nesta mesa onde&lt;br /&gt;como sozinho. mas irão estar sempre aqui.&lt;br /&gt;na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.&lt;br /&gt;enquanto um de nós estiver vivo, seremos&lt;br /&gt;sempre cinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Luís Peixoto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Casa em Ruínas 2003&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113871318355050497?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113871318355050497/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113871318355050497&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871318355050497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871318355050497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/na-hora-de-pr-mesa-ramos-cinco-na-hora.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113871241365845237</id><published>2006-01-31T12:53:00.000Z</published><updated>2006-03-04T01:27:10.393Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Amor como em casa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Regresso devagar ao teu&lt;br /&gt;sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que&lt;br /&gt;não é nada comigo. Distraidíssimo percorro&lt;br /&gt;o caminho familiar da saudade,&lt;br /&gt;pequeninas coisas me prendem,&lt;br /&gt;uma tarde no café, um livro. Devagar&lt;br /&gt;te amo e às vezes depressa,&lt;br /&gt;meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,&lt;br /&gt;regresso devagar a tua casa,&lt;br /&gt;compro um livro, entro no&lt;br /&gt;amor como em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manuel António Pina&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sabugal 1943&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113871241365845237?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113871241365845237/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113871241365845237&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871241365845237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871241365845237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/amor-como-em-casa-regresso-devagar-ao.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113871183292030985</id><published>2006-01-31T12:43:00.000Z</published><updated>2006-01-31T12:50:32.920Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Porque&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os outros se mascaram mas tu não&lt;br /&gt;Porque os outros usam a virtude&lt;br /&gt;Para comprar o que não tem perdão&lt;br /&gt;Porque os outros têm medo mas tu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os outros são os túmulos caiados&lt;br /&gt;Onde germina calada a podridão.&lt;br /&gt;Porque os outros se calam mas tu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os outros se compram e se vendem&lt;br /&gt;E os seus gestos dão sempre dividendo.&lt;br /&gt;Porque os outros são hábeis mas tu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os outros vão à sombra dos abrigos&lt;br /&gt;E tu vais de mãos dadas com os perigos.&lt;br /&gt;Porque os outros se calculam mas tu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sophia de Mello Breyner Andresen&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porto 1919-2004&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113871183292030985?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113871183292030985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113871183292030985&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871183292030985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871183292030985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/porque-porque-os-outros-se-mascaram.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113871105744212614</id><published>2006-01-31T12:26:00.000Z</published><updated>2006-02-01T08:42:36.173Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Lágrima&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cheia de penas&lt;br /&gt;Cheia de penas me deito&lt;br /&gt;E com mais penas&lt;br /&gt;Com mais penas me levanto&lt;br /&gt;No meu peito&lt;br /&gt;Já me ficou no meu peito&lt;br /&gt;Este jeito&lt;br /&gt;O jeito de te querer tanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desespero&lt;br /&gt;Tenho por meu desespero&lt;br /&gt;Dentro de mim&lt;br /&gt;Dentro de mim um castigo&lt;br /&gt;Não te quero&lt;br /&gt;Eu digo que não te quero&lt;br /&gt;E de noite&lt;br /&gt;De noite sonho contigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se considero&lt;br /&gt;Que um dia hei-de morrer&lt;br /&gt;No desespero&lt;br /&gt;Que tenho de te não ver&lt;br /&gt;Estendo o meu xaile&lt;br /&gt;Estendo o meu xaile no chão&lt;br /&gt;Estendo o meu xaile&lt;br /&gt;E deixo-me adormecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu soubesse&lt;br /&gt;Se eu soubesse que morrendo&lt;br /&gt;Tu me havias&lt;br /&gt;Tu me havias de chorar&lt;br /&gt;Uma lágrima&lt;br /&gt;Por uma lágrima tua&lt;br /&gt;Que alegria&lt;br /&gt;Me deixaria matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amália Rodrigues&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lisboa 1920-1999&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113871105744212614?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113871105744212614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113871105744212614&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871105744212614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113871105744212614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/lgrima-cheia-de-penas-cheia-de-penas.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113856379949355079</id><published>2006-01-29T19:43:00.000Z</published><updated>2006-01-29T19:43:19.493Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não posso adiar o amor para outro século&lt;br /&gt;não posso&lt;br /&gt;ainda que o grito sufoque na garganta&lt;br /&gt;ainda que o ódio estale e crepite e arda&lt;br /&gt;sob montanhas cinzentas&lt;br /&gt;e montanhas cinzentas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso adiar este abraço&lt;br /&gt;que é uma arma de dois gumes&lt;br /&gt;amor e ódio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso adiar&lt;br /&gt;ainda que a noite pese séculos sobre as costas&lt;br /&gt;e a aurora indecisa demore&lt;br /&gt;não posso adiar para outro século a minha vida&lt;br /&gt;nem o meu amor&lt;br /&gt;nem o meu grito de libertação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso adiar o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;António Ramos Rosa&lt;br /&gt;Viagem através duma nebulosa – 1960&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113856379949355079?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113856379949355079/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113856379949355079&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856379949355079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856379949355079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/no-posso-adiar-o-amor-para-outro-sculo.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113856375918068589</id><published>2006-01-29T19:42:00.000Z</published><updated>2006-01-29T19:42:39.180Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Poema do Amor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o poema do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do amor tal qual se fala, do amor sem mestre&lt;br /&gt;Do amor.&lt;br /&gt;Do amor.&lt;br /&gt;Do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o poema do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do amor das fachadas dos prédios e dos recipientes do lixo.&lt;br /&gt;Do amor das galinhas, dos gatos e dos cães, e de toda a espécie de bicho.&lt;br /&gt;Do amor.&lt;br /&gt;Do amor.&lt;br /&gt;Do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o poema do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do amor das soleiras das portas&lt;br /&gt;e das varandas que estão por cima dos números das portas&lt;br /&gt;com begónias e avencas plantadas em tachos e terrinas.&lt;br /&gt;Do amor das janelas e cortinas&lt;br /&gt;Ou de cortinas sujas e tortas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o poema do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do amor das pedras brancas do passeio&lt;br /&gt;Com pedrinhas pretas a enfeitá-lo para os olhos se entreterem, e as ervas teimosas a nascerem de permeio&lt;br /&gt;e os homens de cócoras a raparem-nas e elas por outro lado a crescerem.&lt;br /&gt;Do amor das cadeiras cá fora em redor das mesas&lt;br /&gt;com as chávenas de café em cima e o toldo de riscas encarnadas.&lt;br /&gt;Do amor das lojas abertas, com muitos fregueses e freguesas&lt;br /&gt;a entrarem e a saírem, e as pessoas todas muito malcriadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o poema do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do amor do sol e do luar,&lt;br /&gt;do frio e do calor,&lt;br /&gt;das árvores e do mar,&lt;br /&gt;da brisa e da tormenta,&lt;br /&gt;da chuva violenta,&lt;br /&gt;da luz e da cor.&lt;br /&gt;Do amor do ar que circula&lt;br /&gt;e varre os caminhos&lt;br /&gt;e faz remoinhos&lt;br /&gt;e bate no rosto e fere e estimula.&lt;br /&gt;Do amor de ser distraído e pisar as pessoas graves,&lt;br /&gt;do amor de amar sem lei nem compromisso,&lt;br /&gt;do amor de olhar de lado como fazem as aves,&lt;br /&gt;do amor de ir, e voltar, e tornar a ir, e ninguém ter nada com isso.&lt;br /&gt;Do amor de tudo quanto é livre, de tudo quanto mexe e esbraceja,&lt;br /&gt;Que salta, que voa, que vibra e lateja.&lt;br /&gt;Das fitas ao vento,&lt;br /&gt;Dos barcos pintados,&lt;br /&gt;Das frutas, dos cromos, das caixas de tintas, dos supermercados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o poema do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema que o poeta propositadamente escreveu&lt;br /&gt;só para falar de amor,&lt;br /&gt;de amor,&lt;br /&gt;de amor,&lt;br /&gt;de amor,&lt;br /&gt;para repetir muitas vezes amor,&lt;br /&gt;amor,&lt;br /&gt;amor,&lt;br /&gt;amor,&lt;br /&gt;Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico&lt;br /&gt;Contar as palavras que o poeta escreveu,&lt;br /&gt;tantos que,&lt;br /&gt;tantos se,&lt;br /&gt;tantos lhe,&lt;br /&gt;tantos tu,&lt;br /&gt;tantos ela,&lt;br /&gt;tantos eu,&lt;br /&gt;conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu&lt;br /&gt;foi amor,&lt;br /&gt;amor,&lt;br /&gt;amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o poema do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;António Gedeão&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113856375918068589?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113856375918068589/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113856375918068589&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856375918068589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856375918068589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/poema-do-amor-este-o-poema-do-amor.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113856368790689019</id><published>2006-01-29T19:40:00.000Z</published><updated>2006-01-29T19:41:27.910Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Muriel&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Às vezes se te lembras procurava-te&lt;br /&gt;retinha-te esgotava-te e se te não perdia&lt;br /&gt;era só por haver-te já perdido ao encontrar-te&lt;br /&gt;Nada no fundo tinha que dizer-te&lt;br /&gt;e para ver-te verdadeiramente&lt;br /&gt;e na tua visão me comprazer&lt;br /&gt;indispensável era evitar ter-te&lt;br /&gt;Era tudo tão simples quando te esperava&lt;br /&gt;tão disponível como então eu estava&lt;br /&gt;Mas hoje há os papéis há as voltas dar&lt;br /&gt;há gente à minha volta há a gravata&lt;br /&gt;Misturei muitas coisas com a tua imagem&lt;br /&gt;Tu és a mesma mas nem imaginas&lt;br /&gt;como mudou aquele que te esperava&lt;br /&gt;Tu sabes como era se soubesses como é&lt;br /&gt;Numa vida tão curta mudei tanto&lt;br /&gt;que é com certo espanto que no espelho da manhã&lt;br /&gt;distraído diviso a cara que me resta&lt;br /&gt;depois de tudo quanto o tempo me levou&lt;br /&gt;Eu tinha uma cidade tinha o nome de madrid&lt;br /&gt;havia as ruas as pessoas o anonimato&lt;br /&gt;os bares os cinemas os museus&lt;br /&gt;um dia vi-te e desde então madrid&lt;br /&gt;se porventura tem ainda para mim sentido&lt;br /&gt;é ser solidão que te rodeia a ti&lt;br /&gt;Mas o preço que pago por te ter&lt;br /&gt;é ter-te apenas quanto poder ver-te&lt;br /&gt;e ao ver-te saber que vou deixar de ver-te&lt;br /&gt;Sou muito pobre tenho só por mim&lt;br /&gt;no meio destas ruas e do pão e dos jornais&lt;br /&gt;este sol de Janeiro e alguns amigos mais&lt;br /&gt;Mesmo agora te vejo e mesmo ao ver-te não te vejo&lt;br /&gt;pois sei que dentro em pouco deixarei de ver-te&lt;br /&gt;Eu aprendi a ver a minha infância&lt;br /&gt;vim a saber mais tarde a importância desse verbo para os gregos&lt;br /&gt;e penso que se bach hoje nascesse&lt;br /&gt;em vez de ter composto aquele prelúdio e fuga em ré maior&lt;br /&gt;que esta mesma tarde num concerto ouvi&lt;br /&gt;teria concebido aqueles sweet hunters&lt;br /&gt;que esta noite vi no cinema rosales&lt;br /&gt;Vejo-te agora vi-te ontem e anteontem&lt;br /&gt;E penso que se nunca a bem dizer te vejo&lt;br /&gt;se fosse além de ver-te sem remédio te perdia&lt;br /&gt;Mas eu dizia que te via aqui e acolá&lt;br /&gt;e quando te não via dependia&lt;br /&gt;do momento marcado para ver-te&lt;br /&gt;Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te&lt;br /&gt;e antes de chegares já lá estavas&lt;br /&gt;naquele preciso sítio combinado&lt;br /&gt;onde sempre chegavas sempre tarde&lt;br /&gt;ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses&lt;br /&gt;se ausente mais presente pela expectativa&lt;br /&gt;por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente&lt;br /&gt;Mas sabia e sei que um dia não virás&lt;br /&gt;que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste&lt;br /&gt;ou até se exististe ou se eu mesmo existi&lt;br /&gt;pois na dúvida tenho a única certeza&lt;br /&gt;Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?&lt;br /&gt;Aquela hora certa aquele lugar?&lt;br /&gt;À força de o pensar penso que não&lt;br /&gt;Na melhor das hipóteses estou longe&lt;br /&gt;qualquer de nós terá talvez morrido&lt;br /&gt;No fundo quem nos visse àquela hora&lt;br /&gt;à saída do metro de serrano&lt;br /&gt;sensivelmente em frente daquele bar&lt;br /&gt;poderia pensar que éramos reais&lt;br /&gt;pontos materiais de referência&lt;br /&gt;como as árvores ou os candeeiros&lt;br /&gt;Talvez pensasse que naqueles encontros&lt;br /&gt;em que talvez no fundo procurássemos&lt;br /&gt;o encontro profundo com nós mesmos&lt;br /&gt;haveria entre nós um verdadeiro encontro&lt;br /&gt;como o que apenas temos nos encontros&lt;br /&gt;que vemos entre os outros onde só afinal somos felizes&lt;br /&gt;Isso era por exemplo o que me acontecia&lt;br /&gt;quando há anos nas manhãs de roma&lt;br /&gt;entre os pinheiros ainda indecisos&lt;br /&gt;do meu perdido parque de villa borghese&lt;br /&gt;eu via essa mulher e esse homem&lt;br /&gt;que naqueles encontros pontuais&lt;br /&gt;Decerto não seriam tão felizes como neles eu&lt;br /&gt;pois a felicidade para nós possível&lt;br /&gt;é sempre a que sonhamos que há nos outros&lt;br /&gt;Até que certo dia não sei bem&lt;br /&gt;Ou não passei por lá ou eles não foram&lt;br /&gt;nunca mais foram nunca mais passei por lá&lt;br /&gt;Passamos como tudo sem remédio passa&lt;br /&gt;e um dia decerto mesmo duvidamos&lt;br /&gt;dia não tão distante como nós pensamos&lt;br /&gt;se estivemos ali se madrid existiu&lt;br /&gt;Se portanto chegares tu primeiro porventura&lt;br /&gt;alguma vez daqui a alguns anos&lt;br /&gt;junto de califórnia vinte e um&lt;br /&gt;que não te admires se olhares e me não vires&lt;br /&gt;Estarei longe talvez tenha envelhecido&lt;br /&gt;Terei até talvez mesmo morrido&lt;br /&gt;Não te deixes ficar sequer à minha espera&lt;br /&gt;não telefones não marques o número&lt;br /&gt;ele terá mudado a casa será outra&lt;br /&gt;Nada penses ou faças vai-te embora&lt;br /&gt;tu serás nessa altura jovem como agora&lt;br /&gt;tu serás sempre a mesma fresca jovem pura&lt;br /&gt;que alaga de luz todos os olhos&lt;br /&gt;que exibe o sossego dos antigos templos&lt;br /&gt;e que resiste ao tempo como a pedra&lt;br /&gt;que vê passar os dias um por um&lt;br /&gt;que contempla a sucessão de escuridão e luz&lt;br /&gt;e assiste ao assalto pelo sol&lt;br /&gt;daquele poder que pertencia à lua&lt;br /&gt;que transfigura em luxo o próprio lixo&lt;br /&gt;que tão de leve vive que nem dão por ela&lt;br /&gt;as parcas implacáveis para os outros&lt;br /&gt;que embora tudo mude nunca muda&lt;br /&gt;ou se mudar que se não lembre de morrer&lt;br /&gt;ou que enfim morra mas que não me desiluda&lt;br /&gt;Dizia que ao chegar se olhares e não me vires&lt;br /&gt;nada penses ou faças vai-te embora&lt;br /&gt;eu não te faço falta e não tem sentido&lt;br /&gt;esperares por quem talvez tenha morrido&lt;br /&gt;ou nem sequer talvez tenha existido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ruy Belo&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113856368790689019?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113856368790689019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113856368790689019&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856368790689019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856368790689019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/muriel-s-vezes-se-te-lembras-procurava.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113856361356466817</id><published>2006-01-29T19:39:00.000Z</published><updated>2006-01-29T19:40:13.566Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Flor Preservada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colho, maravilhado,&lt;br /&gt;A flor do teu sorriso;&lt;br /&gt;E tudo à minha volta&lt;br /&gt;Se transfigura:&lt;br /&gt;O céu é um mar azul onde navegam aves;&lt;br /&gt;E as montanhas, suaves&lt;br /&gt;Ondulações&lt;br /&gt;Do grande berço maternal do mundo.&lt;br /&gt;Perturbado,&lt;br /&gt;Confundo&lt;br /&gt;As sensações;&lt;br /&gt;E apenas sei que a vara de condão&lt;br /&gt;É o sol de pétalas que me aquece a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filha:&lt;br /&gt;Os poetas são loucos.&lt;br /&gt;E poucos&lt;br /&gt;Acreditam&lt;br /&gt;Que a loucura&lt;br /&gt;É um dom do eterno em cada criatura.&lt;br /&gt;Mas neste testemunho comovido,&lt;br /&gt;Neste poema erguido&lt;br /&gt;Sobre a campa das horas&lt;br /&gt;Como um facho de luz inconformada,&lt;br /&gt;Terás, intacta, pela vida fora&lt;br /&gt;A rosa da inocência que és agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miguel Torga&lt;br /&gt;Diário VIII- 16/10/1958&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113856361356466817?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113856361356466817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113856361356466817&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856361356466817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856361356466817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/flor-preservada-colho-maravilhado-flor.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21671851.post-113856355691261836</id><published>2006-01-29T19:37:00.000Z</published><updated>2006-01-29T19:39:16.913Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;O Pastor Amoroso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu não te tinha&lt;br /&gt;Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo…&lt;br /&gt;Agora amo a Natureza&lt;br /&gt;Como um monge calmo à Virgem Maria,&lt;br /&gt;Religiosamente, a meu modo, como dantes,&lt;br /&gt;Mas de outra maneira mais comovida e próxima…&lt;br /&gt;Vejo melhor os rios quando vou contigo&lt;br /&gt;Pelos campos até à beira dos rios;&lt;br /&gt;Sentado a teu lado reparando nas nuvens&lt;br /&gt;Reparo nelas melhor –&lt;br /&gt;Tu não me tiraste a Natureza…&lt;br /&gt;Tu mudaste a Natureza…&lt;br /&gt;Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,&lt;br /&gt;Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,&lt;br /&gt;Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,&lt;br /&gt;Por tu me escolheres para te ter e te amar,&lt;br /&gt;Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente&lt;br /&gt;Sobre todas as coisas.&lt;br /&gt;Não me arrependo do que fui outrora&lt;br /&gt;Porque ainda o sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando Pessoa&lt;br /&gt;Heterónimo de Alberto Caeiro&lt;br /&gt;O guardador de rebanhos 6/7/1914&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21671851-113856355691261836?l=20poemasdeamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/feeds/113856355691261836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21671851&amp;postID=113856355691261836&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856355691261836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21671851/posts/default/113856355691261836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://20poemasdeamor.blogspot.com/2006/01/o-pastor-amoroso-quando-eu-no-te-tinha.html' title=''/><author><name>José Miguel de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_3f-YvB5A6kY/Sx11-ITBMHI/AAAAAAAAAak/FghqkrIenp8/S220/zm2+061.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
